Fadiga no esporte: fadiga central versus fadiga periférica

2 de agosto de 2019
No contexto esportivo, a fadiga é vista como um estado no qual o indivíduo não consegue manter o nível de desempenho ou de treinamento esperado. Pode ser causada por fatores internos ou externos.

Podemos entender a fadiga no esporte como o conjunto de mudanças que o nosso corpo sofre quando é exposto a um esforço para o qual ele não está adaptado. As dores musculares, assim como a sensação de cansaço ou a diminuição dos níveis de força, podem ser indicativos de fadiga.

Fadiga no esporte: quantos tipos existem?

Quando falamos de fadiga no esporte, devemos fazer uma distinção entre dois tipos fundamentais:

  • Fadiga central: é o que entendemos por fadiga mental, a do nosso centro de comando, quando o nosso sistema nervoso central é afetado.
  • Fadiga periférica: também conhecida como fadiga física, é a que se refere aos nossos músculos.

Conhecendo melhor as diferenças entre as duas e a forma como reagimos a elas, poderemos planejar o treinamento de uma maneira mais eficaz. A seguir, veremos em detalhes alguns aspectos importantes que todo atleta deve saber como lidar.

A fadiga central

A fadiga central é um ponto-chave para o desempenho, sendo que podemos dizer que ela é até mesmo mais importante do que a periférica. Isso ocorre porque a fadiga central tem um efeito negativo tanto na predisposição mental quanto no desempenho físico.

Circunstâncias do dia a dia, tais como problemas pessoais, estresse no trabalho, ritmo frenético de vida que levamos ou uma preocupação com uma prova são causas muito comuns de fadiga central.

O que nos perguntamos aqui é: como posso lidar com essas circunstâncias? Devo descansar quando a fadiga ocorrer por esses motivos? Na verdade, não.

Como já dissemos, a fadiga central depende em grande parte do nosso sistema nervoso central. Uma das principais características do SNC é a de que ele sempre procura se adaptar e economizar o máximo de energia possível para manter um estado ideal.

Por essa razão, se a nossa fadiga for central, o SNC procurará uma forma de se adaptar a essa situação e conseguir poupar energia, o que vai fazer com que sintamos repulsa à sessão de treinamento.

A fadiga periférica

No entanto, se você descansar e pular o treino, o cérebro vai se adaptar a essa situação e ficará ainda mais preguiçoso. Pelo contrário, você deve procurar novos estímulos, não descansar.

Dar um estímulo diferente ou mesmo repetir algo já conhecido será como um presente para o nosso SNC. Uma vez recuperado o estado mental positivo, alcançaremos uma nova disposição física.

A fadiga periférica

Ao contrário da primeira, ela não influencia no nível central. Se nos sentirmos fisicamente cansados, mas tivermos um certo vigor mental, ainda poderemos treinar de forma proveitosa, apesar do cansaço físico. Portanto, tudo pode ser mais fácil quando nos referimos à fadiga periférica.

Porém, se a fadiga for física e não mental, continuar o treino não é adequado. Se estivermos nessa situação, não será útil continuar com a prática desportiva. Sofrer com uma grande fadiga ou atingir o overtraining aumenta consideravelmente o risco de lesão.

O que podemos fazer para uma boa recuperação física?

Existem várias possibilidades de recuperação:

  • Aumentar as horas de sono.
  • Uma boa massagem esportiva.
  • Consumir uma refeição nutritiva e saciante.
  • Adiar o treino da manhã para a tarde ou para o dia seguinte. Nesse sentido, é essencial respeitar os tempos de recuperação entre as sessões.

Essas são algumas das alternativas para alcançar o objetivo de restaurar as reservas de energia, bem como de permitir uma boa recuperação e o descanso muscular e articular. Tudo isso é essencial para ter uma boa disposição para os treinos seguintes.

A fadiga central

Conclusões sobre a fadiga no esporte

Com base no exposto, é importante ter clareza sobre uma série de questões relacionadas à fadiga no esporte:

  • Se estou fisicamente cansado, mas mentalmente bem, posso treinar.
  • Por outro lado, se o cansaço for mental, embora fisicamente eu esteja bem, não haverá outro jeito: a qualidade do treinamento vai ser prejudicada. Até mesmo o desejo de treinar cairá consideravelmente.

Assim, antes de encarar qualquer treino, devemos nos perguntar o que está acontecendo conosco e se realmente se trata de uma fadiga física. De fato, muitas vezes o que estamos sentindo é um reflexo da fadiga central que, como vimos, é algo muito diferente. Então, avalie o seu estado antes de exigir o seu corpo ao máximo!

  • Bogdanis, G. C. (2012). Effects of Physical Activity and Inactivity on Muscle Fatigue. Frontiers in Physiology, 3, 142.
  • Pegaux, B., Lepers, R. (2018). The effects of mental fatigue on sport-related performance. Prog.Brain.Res. 2018;240:291-315.