Você conhece o treinamento oclusivo?

27 de outubro de 2019
Quando falamos de atividade física e esporte, frequentemente encontramos novas tendências de treinamento. Uma delas é o treinamento oclusivo, no qual os exercícios são executados sob oclusão vascular.

Conforme a ciência avança, também avançam os métodos de treinamento físico. Uma dessas novas tendências é o treinamento oclusivo. Trata-se de uma ferramenta de treinamento que foi descoberta pelo japonês Sato e que se concentra na oclusão vascular, assim como veremos a seguir.

No artigo de hoje, vamos descobrir tudo o que precisamos saber sobre o treinamento oclusivo. Certamente, também vamos descobrir tanto os riscos quanto os benefícios dessa prática. Então, vamos lá.

O que é o treinamento oclusivo?

Por treinamento oclusivo, podemos entender a prática da aplicação de uma certa restrição do fluxo sanguíneo em um determinado grupo muscular. Isso é feito através da pressão exercida por uma faixa elástica, ou seja, colocando-a na área dos membros superiores ou inferiores.

A aplicação de uma pressão externa reduz o nível de fluxo sanguíneo que circula para o tecido muscular, ao mesmo tempo em que há uma oclusão da circulação venosa. Isso gera hipóxia, o que causa um grande estresse metabólico. Dessa forma, haverá grandes benefícios em relação ao trabalho de hipertrofia muscular.

Em quais modalidades esse treinamento é utilizado?

O treinamento oclusivo traz grandes benefícios para os atletas e inclusive já houve estudos importantes a esse respeito.

Ao mesmo tempo, é um método amplamente utilizado em processos de reabilitação, quando o paciente não é capaz de executar o movimento mecânico que causa a hipertrofia.

Um exemplo disso seria a reabilitação de uma lesão do ligamento cruzado anterior, muito comum em diversas modalidades esportivas.

Quais são os benefícios proporcionados pelo treinamento oclusivo?

Esse tipo de treinamento, quando bem feito, pode oferecer benefícios significativos. Os mais importantes se referem principalmente à hipertrofia muscular. No entanto, também há outros resultados que devemos levar em consideração se estivermos pensando em aplicar essa nova ferramenta de treinamento:

  • Hipertrofia muscular. Em relação aos exercícios de hipertrofia nos quais a intensidade está acima de 70% da nossa capacidade máxima, o trabalho oclusivo mostra aumentos na massa muscular com cargas de 30% do nosso 1RM (repetição máxima).
Exercício de bíceps

Imagem: hsnstore.com

  • Ganho de força. Embora os ganhos no nível de força não sejam tão grandes quanto os alcançados na hipertrofia, melhorias importantes também podem ser alcançadas nesse sentido. Isso será importante principalmente para os pacientes idosos com mobilidade reduzida. Ao mesmo tempo, foi demonstrado que o trabalho oclusivo é capaz de manter os níveis anteriores de força quando um paciente está passando por um processo de imobilização após uma lesão.
  • Diminuição da pressão arterial. Quando treinamos com cargas elevadas, uma das adaptações fundamentais é a diminuição da pressão arterial em relação à tensão em repouso. Com o treinamento oclusivo, observamos que as adaptações são semelhantes às alcançadas com altas cargas de treinamento.
  • Causa adaptações no nível cardiovascular. Através deste tipo de treinamento, foram alcançadas melhorias no nível da capacidade de resistência, mas não tão altas quanto as que foram alcançadas no nível muscular.

É perigoso treinar sob restrição de fluxo sanguíneo?

Embora proporcione grandes benefícios em determinados contextos, também é importante apontar os riscos associados ao mau uso dessa prática. Alguns deles são os seguintes:

  • Dormência ou falta de sensibilidade nas regiões trabalhadas após o treino.
  • Possíveis problemas em relação ao tecido conjuntivo, podendo até mesmo haver risco de lesão se os procedimentos não forem seguidos adequadamente.
  • Esses riscos são aumentados em pessoas que sofrem de outras patologias, tais como trombose ou varizes. Da mesma forma, as mulheres grávidas também devem ter cuidado ao trabalhar com a oclusão vascular.

Como é feito o treinamento oclusivo?

Para incluir essa ferramenta nos nossos treinos, é essencial consultar um profissional e seguir uma série de considerações:

  • Podemos aplicar a oclusão em atividades aeróbicas, tais como caminhar e andar de bicicleta, ou, pelo contrário, usá-la no treinamento de força com pouca carga.
  • Quanto ao tipo de exercício a ser executado, é possível recorrer tanto a exercícios multiarticulares, tais como o agachamento, ou a exercícios simples, como a extensão do joelho, por exemplo.
  • Em relação à carga, no treinamento de força ela deve ficar em torno de 30% do nosso 1 RM (uma repetição máxima).
um treinamento oclusivo

Imagem: mundoentrenamiento.com

  • Em termos de volume de treinamento, a sessão não deve exceder 60-75 repetições para cada exercício executado. Podem ser feitas séries de cerca de 15 repetições.
  • O descanso entre as séries nunca deve exceder um minuto nem ter menos de 30 segundos.
  • A frequência do treinamento varia de acordo com o condicionamento físico do indivíduo. Para uma população normal, a frequência seria de 3 dias por semana. No entanto, para atletas treinados, essa frequência pode chegar a 4 sessões semanais.

Conclusões

Conforme podemos observar, o treinamento oclusivo é uma ferramenta que, quando bem utilizada, pode trazer benefícios significativos para o nosso treinamento.

No entanto, será importante seguir as instruções anteriores e ter a supervisão de um profissional em ciências do esporte em todos os momentos. Que tal experimentar uma nova ferramenta?

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