Treine o cérebro para melhorar o desempenho físico

9 de agosto de 2019
Os atletas que possuem um bom domínio das atividades cognitivas geralmente também são melhores em suas modalidades. O corpo é um todo e o vínculo entre a mente e o corpo nutre ambas as partes separadamente.

Treinar o cérebro pode melhorar nosso desempenho físico? Cada vez que um movimento esportivo é produzido, a emissão dessa ordem vem do cérebro. Se fizermos tarefas mentais repetidas vezes e progredirmos em sua complexidade, o corpo melhorará suas ligações neurais.

Então a resposta é sim! A atividade cerebral melhora e pode influenciar o desempenho físico.

Funcionamento das ordens cérebro-corpo

Antes e depois de qualquer movimento o cérebro realiza milhões de cálculos. Esses cálculos estão ligados à capacidade de prever uma ação. Toda vez que repetimos um movimento esportivo, fornecemos informações ao cérebro e melhoramos a memória motora. Dessa forma, é possível aperfeiçoar uma atividade.

O papel dos sentidos, como a visão ou o tato, é importante para esse sistema. Portanto, cada treino, exercício ou atividade aumenta nossa experiência perante futuras repetições do mesmo ato.

A conexão entre o cérebro e os músculos para executar ações é estabelecida nos neurônios motores através de uma complexa rede de nervos. Foi precisamente essa capacidade de nos mover que nos levou a sobreviver como espécie.

Treino cerebral para melhorar o desempenho físico

De acordo com estudos sobre as tarefas realizadas por atletas profissionais fora do âmbito esportivo, os resultados esclareceram que aqueles que possuíam um domínio maior da atividade cognitiva em atividades como ler, escrever, estudar ou desenvolver uma profissão, obtinham melhores resultados em sua modalidade esportiva.

Além disso, não só obtinham uma melhor condição física, como também se esforçavam para experimentar emoções positivas dia após dia. Isso os fazia lidar com o exercício físico de maneira otimista.

Treino cerebral para melhorar o desempenho físico

Dito isso, podemos concluir que um atleta que desenvolve habilidades cognitivas paralelamente ao desenvolvimento de habilidades motoras experimenta uma melhora quando se trata do desempenho dessas atividades esportivas.

Propostas para treinar o cérebro

As atividades para alcançar esse objetivo são quase infinitas: você pode fazer isso jogando videogame, lendo, escrevendo ou memorizando padrões de forma esquemática. Também seria positivo desenvolver habilidades artísticas, como a arte ou a construção de objetos.

É aconselhável buscar hobbies paralelos à atividade esportiva. Você comprovará os benefícios ao praticá-la. Naturalmente, é importante evitar, tanto quanto possível, que as novas tecnologias executem as tarefas por você.

Imagine por exemplo o uso do GPS. Nosso cérebro não memoriza mais as rotas nem está disposto a realizar processos mentais para tais propósitos. Hoje os mapas estão, de forma simples, ao alcance das nossas mãos graças a esses dispositivos.

Mas se não usarmos o cérebro para nada, não estimularemos esse órgão em sua totalidade. Isso faria com que os processos mentais se estagnassem, o que o levaria à deterioração.

Tarefas duplas

O sistema de tarefas duplas que os treinadores profissionais aplicam aos seus atletas ou pacientes em reabilitação é baseado na exposição a vários estímulos não relacionados diretamente.

Uma prática positiva para treinar essas qualidades mentais consiste em colocar o atleta em frente a uma tela de computador na qual um programa mostra objetos aleatórios. Uma vez finalizado o exercício, o indivíduo deve contar os objetos que pôde ver no monitor.

A dificuldade reside em fazê-lo durante a realização de um exercício característico do seu esporte. Pode ser o controle de uma bola com os pés para um jogador de futebol ou quicar a bola para um jogador de basquete.

Esse sistema se mostrou ideal para a atingir uma melhora esportiva, e é por isso que muitos profissionais do esporte o aplicam.

Poderíamos dizer que quanto mais estímulos externos o cérebro for capaz de monitorar e responder ou ignorar, maior será a atividade cerebral. As tarefas duplas são um ótimo treino cerebral para melhorar o desempenho físico.

O gerenciamento das emoções

O gerenciamento das emoções é indispensável não apenas para um atleta, mas também para qualquer pessoa. Realizar uma atividade com motivação nos levará a nos dedicar 100%.

Por outro lado, realizá-la com desinteresse implicará um baixo empenho da nossa parte. As emoções que o cérebro experimenta interferem no nosso desempenho físico diário.

Exemplos de descontrole emocional

Quando um atleta profissional se deixa levar pela raiva e comete uma falta agressiva em um oponente, obtém uma repercussão negativa, que é sua expulsão da partida.

A variedade é a chave para melhorar o desempenho físico

Extrapolando esse exemplo para o campo do lazer e da saúde, se uma pessoa deixa que os estressores externos a afetem, não terá o mesmo desempenho durante o exercício. Além disso, possivelmente se ausentará das sessões.

A variedade é a chave para melhorar o desempenho físico

De que serve um corpo prominente se o cérebro não é cultivado consistentemente? O mesmo princípio também pode ser aplicado ao contrário. O ideal é praticar várias atividades, que geram diferentes exigências para o corpo. Dessa forma não apresentaremos carências no âmbito físico ou mental.

A fisiologia humana é grata neste sentido. Melhore algo nela e você verá como outras áreas serão reforçadas. Como disse Aristóteles, “o todo é maior que a soma de suas partes”.

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  • Bettina Wollesen; Klaus Mattes; Sören Schulz; Laura L. Bischoff; L. Seydell; Jeffrey W. Bell; Serge P. von Duvillard. Effects of Dual-Task Management and Resistance Training on Gait Performance in Older Individuals: A Randomized Controlled Trial. doi: 10.3389/fnagi.2017.00415
  • Cristina Sáez. El cerebro y el deporte. https://cristinasaez.files.wordpress.com/2011/07/deporte-y-cerebro.pdf
  • William Ramírez Silva. La neurocognición en los procesos de entrenamiento deportivo. Universidad de San Buenaventura. http://viref.udea.edu.co/contenido/publicaciones/memorias_expo/entrenamiento/neurocognicion.pdf