É possível ser magro e metabolicamente obeso?

· 24 de outubro de 2018
Sempre relacionamos aparência com saúde, mas nem sempre essa relação é confiável. Existe a possibilidade de uma pessoa ser magra, mas que seus problemas de saúde estejam escondidos no interior, tornando-os ainda mais perigosos

Temos a falsa crença de que as pessoas que estão no peso ideal são saudáveis… Ou que não ter um grama de barriga é bom para nossa saúde. No entanto, as aparências muitas vezes enganam. É possível ser magro e metabolicamente obeso.

O pior de tudo nestes casos é que, ao achar que está saudável, a pessoa não faz nenhum exercício nem nenhum exame médico. E as consequências disso podem ser graves. Saiba mais sobre essa condição a seguir.

Magreza e obesidade ao mesmo tempo

Mulher segurando uma balança com uma cara preocupada

Sim, esses dois conceitos podem aparecer juntos em algumas pessoas. É um pouco complicado entender como alguém pode ser magro e gordo ao mesmo tempo, mas isso acontece.

É possível ter excesso de gordura no corpo e estar dentro dos parâmetros de peso ideal de acordo com a altura, a idade ou o contexto físico. Isso é conhecido como “magreza metabolicamente obesa”, ou também “obesidade com peso normal”, e é mais normal do que imaginamos.

O principal índice para determinar se uma pessoa tem ou não sobrepeso é o IMC (índice de massa corporal). No entanto, ele não é o mais efetivo. Podemos ter um peso normal de acordo com os parâmetros estipulados, mas uma maior concentração de adiposidade no ventre.

Não podemos levar em conta somente o cálculo feito entre o peso e a altura, já que há muitos outros aspectos que definem nosso nível de saúde.

Os obesos de peso normal podem sofrer os mesmos problemas que aqueles com um sobrepeso notório. Ou seja: pressão arterial elevada, resistência à insulina, diabetes e mais risco de sofrer problemas cardiovasculares.

A porcentagem de gordura acumulada no corpo é o dado ao qual devemos prestar atenção, já que é no tecido adiposo onde começam nossos problemas de saúde.

Além disso, não podemos nos basear somente em um cálculo como o IMC, porque ele é muito “genérico” (mesmo sendo feito após várias análises e comparações). Por isso, é sempre bom comparar mais de um índice ou classificação se queremos determinar nosso estado físico. Talvez você seja magro e metabolicamente obeso e não saiba.

Magro e metabolicamente obeso: saúde

relógio que controla a frequência cardíaca

Talvez você conheça alguém que come de tudo e parece que nunca engorda. Como? Seu metabolismo, supostamente “privilegiado”, pode esconder um segredo: acumular depósitos de gordura muito próximos aos órgãos vitais. Sim, ainda que não se veja por fora, está ali, à espreita, o culpado de muitas doenças.

Ser magro e metabolicamente obeso é mais perigoso do que ter sobrepeso visível. Você sabia que muitas pessoas, mesmo com peso normal, têm colesterol? Geralmente relacionamos uma alta porcentagem de triglicerídeos no sangue àqueles que têm uma barriga grande, mas nem sempre é assim.

Se alguém parece perfeito e invejável por fora, não quer dizer necessariamente que está saudável por dentro. A gordura visceral pode envolver seu coração, rins, fígado, pâncreas… Até de quem tem uma barriguinha reta!

Por outro lado, há pessoas obesas metabolicamente saudáveis, que têm pouca gordura visceral e uma maior quantidade de tecido celular subcutâneo (a gordura que se vê).

São vários os fatores que influenciam para que alguém seja magro e metabolicamente obeso ao mesmo tempo:

  • a genética
  • o estresse
  • o sedentarismo – a falta de movimento faz com que a gordura se instale mais profundamente no corpo
  • a alimentação – certo alimentos aumentam a produção de insulina, o que provoca acumulo de gordura visceral

Sou magro e metabolicamente obeso: o que fazer?

Mulher comendo salada em um restaurante

Mesmo que você se considere uma pessoa dentro do peso e você seja a inveja de seus amigos e colegas, ou caso seu único problema seja uma barriguinha, talvez você deva prestar mais atenção a seus hábitos de alimentação, para evitar doenças silenciosas como o colesterol.

Por um lado, a boa notícia é que a gordura externa pode ser eliminada facilmente com exercício e mudanças na alimentação. Por outro, a gordura visceral é um pouco mais complicada de se eliminar, porque não a vemos. No entanto, pode-se detectá-la através de exames de sangue e outros exames médicos.

Recomendamos que você consuma mais líquidos – principalmente água – para propiciar a eliminação da gordura através da urina. Além claro de perseguir uma alimentação saudável e praticar exercícios.

Não se esqueça das fibras para reduzir a constipação, do Ômega 3 para reduzir o estresse e das verduras cruas para saciar o apetite. Trate de dizer adeus aos doces, fritos e refrigerantes, pelo menos durante a semana!