Lesões do manguito rotador mais frequentes

25 de setembro de 2019
O manguito rotador é uma estrutura anatômica localizada no ombro. Neste artigo, veremos as possíveis lesões que ele pode sofrer.

É importante saber quais são as principais lesões que podemos sofrer quando praticamos esportes para, assim, conseguir evitá-las. Nos esportes em que há uma alta demanda dos braços, o ombro geralmente é uma das articulações mais vulneráveis. Neste artigo, vamos ver as lesões mais frequentes do manguito rotador.

O manguito rotador: do que é composto?

O ombro é a articulação com maior mobilidade do nosso corpo. No entanto, essa grande mobilidade também traz consigo uma grande instabilidade. Assim, certas estruturas, se não forem trabalhadas corretamente, podem se lesionar mais facilmente.

O principal músculo do ombro é o deltoide. No entanto, na parte posterior, encontramos a estrutura conhecida como manguito rotador. É chamado dessa forma porque é composto de músculos responsáveis ​​pela rotação interna e externa do ombro:

  • Supraespinhal: origina-se na escápula, em uma região conhecida como fossa supraespinhal. Ele fica inserido no tubérculo maior do maior osso do nosso braço, o úmero. Produz a abdução do braço.
  • Infraespinhal: de maior tamanho, também se origina na escápula, na fossa infraespinhal, e fica inserido próximo ao supraespinhal. É um rotador externo.
  • Redondo menor: é um músculo menor do que os anteriores. Tem a mesma origem e fica inserido no mesmo local que o infraespinhal, e também é responsável pela rotação externa.
  • Subescapular: o único localizado na parte anterior do corpo. Origina-se na fossa subescapular da escápula e fica inserido no tubérculo menor do úmero. É o único rotador interno do manguito rotador.
Tendinopatia ou tendinose

Imagem: Onmeda.es

Lesões mais comuns

Nesta seção, veremos quais são as lesões mais comuns que ocorrem nessa estrutura anatômica. No entanto, antes de listá-las, queremos destacar uma coisa muito importante.

Tendinite do manguito rotador

Essas quatro palavras foram ouvidas e lidas em relatórios médicos por muitos de nós, até a exaustão. No entanto, é importante deixar claro que é um termo incorreto e obsoleto.

O sufixo ‘-ite’ indica inflamação de uma determinada região. Assim, se estamos falando de tendinite, estamos nos referindo à inflamação do tendão, mas, para existir inflamação, precisamos ter estruturas vasculares.

O tendão não tem irrigação, portanto ele não é uma estrutura que possa ficar inflamada. Em contrapartida, é correto falar em tendinose ou tendinopatia, pois o que realmente pode ficar inflamado são as estruturas adjacentes ao tendão.

Tendinopatia ou tendinose

Como dissemos anteriormente, o termo correto para se referir às lesões dos tendões de qualquer músculo do manguito rotador é tendinopatia. Na maioria das vezes, o afetado é o tendão supraespinhal ou as suas estruturas adjacentes, como a bursa ou o próprio tecido muscular.

Essa lesão é causada por movimentos repetitivos com peso. É muito comum em certos tipos de trabalho ou no esporte de força. Uma lesão no tendão de qualquer outro músculo geralmente produz uma sintomatologia semelhante. muitas vezes, os mais lesionados são o infraespinhal e o redondo, após o supraespinhal.

Lesões mais frequentes do manguito rotador

O tratamento geralmente consiste em repouso e no uso de anti-inflamatórios, por via oral ou por infiltração. Em certos casos, a cirurgia pode ser necessária. A reabilitação ativa com fisioterapia e o relaxamento dos músculos através da punção seca também são indicados.

Ruptura

A ruptura muscular ou tendínea de qualquer um dos quatro músculos apresentados é a lesão mais grave do manguito rotador. Geralmente ocorre quando há um desgaste prévio de algum músculo ou tendão.

Se houver uma tendinopatia, certamente é muito importante saber reconhecer que algo não está indo bem e parar de se exercitar ou de fazer um determinado trabalho. O motivo é que continuar poderia acabar levando a uma ruptura total ou parcial do tendão ou do músculo.

O tratamento geralmente é cirúrgico. Um tratamento conservador com fisioterapia pode ser seguido, mas nunca recuperaremos a mobilidade, principalmente em movimentos que envolvam a elevação do braço.

Esse tipo de tratamento é indicado apenas para idosos que não vão mais ter um grande desempenho físico ou quando a cirurgia apresenta mais riscos do que benefícios.

  • McCreesh, K. M., Purtill, H., Donnelly, A. E., & Lewis, J. S. (2017). Increased supraspinatus tendon thickness following fatigue loading in rotator cuff tendinopathy: potential implications for exercise therapy. BMJ Open Sport & Exercise Medicine, 3(1), e000279. https://doi.org/10.1136/bmjsem-2017-000279
  • Littlewood, C., Ashton, J., Chance-Larsen, K., May, S., & Sturrock, B. (2012). Exercise for rotator cuff tendinopathy: a systematic review. Physiotherapy, 98(2), 101–109. https://doi.org/10.1016/j.physio.2011.08.002
  • Varacallo, M., & Mair, S. D. (2019). Rotator Cuff Syndrome. Retrieved from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK531506/
  • Spargoli, G. (2019). TREATMENT OF ROTATOR CUFF TENDINOPATHY AS A CONTRACTILE DYSFUNCTION. A CLINICAL COMMENTARY. International Journal of Sports Physical Therapy, 14(1), 148–158. Retrieved from http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30746301