Conheça a fisiologia da perda de gordura

16 de março de 2020
A perda de gordura é um dos objetivos mais procurados no mundo fitness. Neste artigo, veremos os processos fisiológicos que levam à queima de gordura corporal.

A gordura é um dos três macronutrientes essenciais que dão estrutura e energia ao nosso corpo, juntamente com as proteínas e os carboidratos. No entanto, pode ser desagradável e contraproducente quando acumulada. Neste artigo, examinaremos a fisiologia do acúmulo e da perda de gordura.

Quando não é usada como energia, ela se acumula nas reservas adiposas. Um dos grandes objetivos no mundo do exercício físico é alcançar um corpo estético e livre de gordura. Como conseguir isso?

O acúmulo de gordura

Devemos esclarecer que nem toda a gordura existente nas reservas adiposas vem da gordura ingerida diariamente. Se consumirmos mais calorias do que gastamos em um determinado dia, esse excesso calórico será utilizado para sintetizar gordura (mas, em certas ocasiões, também músculo).

Isso ocorre porque a base das gorduras, proteínas e carboidratos é muito semelhante. Se essas substâncias não são usadas para gerar energia, são convertidas por um processo chamado esterificação nos compostos pastosos e amarelados que compõem o tecido adiposo.

Portanto, o que torna uma pessoa gorda é o mantimento de um excesso ou superávit de calorias na sua dieta por um longo período de tempo.

Perda de gordura

O processo inverso ocorre quando há um déficit calórico. Esse déficit de energia faz com que o corpo obtenha a energia que falta da oxidação dos ácidos graxos. Esses ácidos graxos são produzidos pela decomposição de triglicerídeos, que formam reservas de gordura.

O acúmulo de gordura

Oxidação dos ácidos graxos

O processo começa quando o corpo reconhece que há falta de energia. Primeiro, você começa queimando glicogênio dos músculos e do fígado, pois o corpo – principalmente o cérebro – gosta de usar glicose como combustível antes de recorrer a fontes alternativas de energia.

Quando todo o glicogênio está esgotado, o corpo começa a quebrar os triglicerídeos que mencionamos anteriormente. Esses triglicerídeos estão dentro das células que compõem a gordura. Eles vão para o fígado através da corrente sanguínea e se decompõem em três moléculas de ácidos graxos.

Finalmente, esses ácidos graxos se decompõem em moléculas ainda menores que o corpo usa para continuar ciclo de Krebs, a partir do qual a energia é obtida na forma de ATP .

Perda de gordura durante o exercício

Todo o processo descrito acima é ampliado durante o exercício. Especialmente o exercício aeróbico de baixa intensidade que utiliza a gordura como o combustível principal, em contraste com a alta intensidade, que utiliza as vias anaeróbias.

Quando começamos a nos exercitar, o corpo precisa enviar muito mais oxigênio e nutrientes para os músculos, para que a alta demanda de energia par mover o nosso corpo possa ser mantida. Por esse motivo, a frequência cardíaca e a capacidade respiratória aumentam, entre outros parâmetros.

Durante o exercício aeróbico, o oxigênio é usado para fornecer energia aos músculos, e essa energia vem essencialmente da gordura.

Começam a surgir grandes quantidades de triglicerídeos, que vão para o fígado e o tecido muscular e, como explicamos anteriormente, se decompõem em substâncias menores que fornecem a energia necessária.

Perda de gordura durante o exercício

O melhor método para a perda de gordura

Ao compreender esses conceitos, podemos desenvolver um plano adequado para a perda de gordura corporal e também para melhorar a nossa estética e saúde. O mais importante é que haja um déficit calórico mantido ao longo do tempo.

Com esse déficit, o corpo extrairá continuamente triglicerídeos das células adiposas e elas reduzirão gradualmente seu tamanho. No entanto, estamos falando de substâncias microscópicas, portanto, para que as mudanças sejam visíveis, precisamos de tempo e, acima de tudo, paciência.

  • Strasser, B., Spreitzer, A., & Haber, P. (2007). Fat Loss Depends on Energy Deficit Only, Independently of the Method for Weight Loss. Annals of Nutrition and Metabolism, 51(5), 428–432. https://doi.org/10.1159/000111162
  • Carey, D. G. (2009). Quantifying Differences in the “Fat Burning” Zone and the Aerobic Zone: Implications For Training. Journal of Strength and Conditioning Research, 23(7), 2090–2095. https://doi.org/10.1519/JSC.0b013e3181bac5c5
  • Kuo, C.-H., & Harris, M. B. (2016). Abdominal fat reducing outcome of exercise training: fat burning or hydrocarbon source redistribution? Canadian Journal of Physiology and Pharmacology, 94(7), 695–698. https://doi.org/10.1139/cjpp-2015-0425
  • McCarty, M. F. (1995). Optimizing exercise for fat loss. Medical Hypotheses, 44(5), 325–330. Retrieved from http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8583962