Corredores de altitude: efeitos das mudanças atmosféricas

· 25 de novembro de 2018
Quanto mais alta a montanha, menor vai ser a temperatura e a pressão atmosférica, um fato que se traduz automaticamente em uma menor disponibilidade de oxigênio.

Não é nenhum segredo. As mudanças ambientais afetam dramaticamente o desempenho esportivo. Por isso, os corredores de altitude precisam de dicas especiais.

Estas adaptações para atletas de alto nível vão acontecer tanto em relação ao treino quanto na alimentação; trata-se de conseguir se adaptar a meios bastante específicos, tais como os que surgem a milhares de metros acima do nível do mar.

É preciso também ter em mente que a umidade diminui nas montanhas altas. Esse fator, combinado com uma maior incidência dos raios solares, aumenta os riscos de desidratação.

O mal das montanhas

30% das pessoas que sobem de forma súbita a altitudes superiores a 3.000 metros sobre o nível do mar são afetadas por esta condição, chamada soroche no Peru e puna na Bolívia.

Menina correndo no campo

Também conhecida como doença das alturas, traz consigo uma série de sintomas que, além de certos desconfortos, também podem representar perigos importantes para a saúde das pessoas afetadas.

Náusea, fraqueza geral e dificuldades respiratórias são as primeiras a aparecer. A lista igualmente inclui dores de cabeça, diminuição da agilidade mental e perda de capacidade de raciocínio. Alteração das emoções e apatia também são outros sinais.

Naturalmente, o desempenho esportivo também é seriamente afetado. É um novo fator que não está relacionado à capacidade aeróbica, nem ao nível de resistência, sendo uma má adaptação às condições na altitude que pode inviabilizar qualquer plano de trabalho.

De menos para mais

Os corredores de altitude precisam se aclimatar e se adaptar às condições especiais, para dessa forma poder render ao máximo. Este é um processo para o qual é recomendado reservar 30 dias.

Quanto mais perto uma pessoa morar do oceano, mais difícil vai ser se aclimatar. Enquanto o declínio no desempenho esportivo começa a ser evidente em altitudes acima de 2.100 metros acima do nível do mar, algumas pessoas acabam sendo afetadas muito antes disso.

Os planos de adaptação à altitude devem começar considerando as condições ambientais cotidianas. Afinal, qualquer mudança no ambiente, e não apenas aquelas referentes a mais ou menos metros acima do nível do mar, sempre vão influenciar os resultados e a capacidade de resposta do organismo.

Corredores de altitude: plano de trabalho

A maioria dos programas que tem como objetivo adaptar os atletas às condições ambientais predominantes nas altas altitudes é dividida em três momentos. Durante a primeira semana, um treino de exercícios que seja confortável  é indicado. Sem muita intensidade, nem tentando forçar na tentativa de alcançar o nível ideal mais rapidamente.

Homem correndo na montanha

As próximas duas semanas representam o momento chave. Durante este período, os atletas precisam se dedicar totalmente. O objetivo é maximizar as habilidades físicas e, inclusive, mentais.

Às vezes, a preparação dos corredores de altitude para não desistir pode fazer toda a diferença. As corridas a pé ou de bicicleta devem andar de mãos dadas com muito trabalho anaeróbico. A força e resistência de toda a estrutura muscular é outro aspecto que também precisa ser otimizado.

Durante os últimos quatro ou cinco dias, a intensidade e a carga de trabalho devem diminuir novamente. É hora de o corpo assimilar o treinamento e assim terminar de se adaptar ao ambiente.

Também é preciso lembrar que o descanso ativo, caminhadas em ritmo médio ou ainda os exercícios de alongamento e relaxamento são especialmente recomendados para esta etapa.

A alimentação: mais calorias

A taxa de metabolismo basal aumenta consideravelmente quanto mais distante do nível do mar uma pessoa esteja. Isto é: a quantidade mínima de calorias requeridas pelo corpo humano para cumprir de forma eficiente com todas as suas funções vitais. Desde a respiração até se movimentar.

A dieta dos corredores de altitude deve ser especialmente rica em carboidratos. Além de representar a melhor fonte de energia, eles têm a capacidade de facilitar o transporte de oxigênio através da corrente sanguínea em altitudes elevadas.

As gorduras insaturadas igualmente fornecem uma boa quantidade de calorias extras, necessárias para manter o desempenho sob essas condições.

Além disso, os suplementos vitamínicos são produtos muito úteis. Principalmente os elaborados a partir da vitamina E, um dos elementos com maiores propriedades antioxidantes.

Não devemos nos esquecer que, a partir de 3.000 metros acima do nível do mar, o estresse oxidativo é muito maior. O que aumenta significativamente os riscos de sofrer lesões musculares.