Diferenças entre a dieta cetogênica e a dieta hiperproteica

· 3 de agosto de 2018
Elaborar uma dieta envolve mais informações e planejamento do que podemos pensar a princípio, e dois dos termos que mais frequentemente confundimos são dieta cetogênica e dieta hiperproteica, que, como explicamos a seguir, não são a mesma coisa

Se pedirmos ao Google para fazer uma pesquisa sobre diferentes tipos de dietas para perder peso, ele vai enlouquecer com a infinidade de resultados encontrados. Mas, às vezes, trata-se da mesma dieta apenas com um nome diferente. Pode parecer que a dieta cetogênica e a dieta hiperproteica sejam a mesma coisa, porque ambas têm uma premissa em comum, mas isso não poderia estar mais longe da realidade.

Por que tanta confusão?

É fácil, em ambas as dietas o mais importante a ser levado em consideração é que é preciso aumentar a quantidade de proteína da alimentação. É por isso que  ambas estão relacionadas ao mundo dos esportes, perda de peso, musculação, definição… Mas o manejo das duas situações é diferente e assim é preciso levar em conta as características que as diferenciam.

Mulher com vários legumes fazendo um planejamento alimentar

Dieta hiperproteica

Assim como o próprio nome sugere, é uma dieta que contém uma porcentagem maior de proteínas do que a dieta normal. Começando pelo fato de que 18% do total de calorias vêm de produtos proteicos (carnes, peixes, ovos, derivados de soja…). Ou seja, 1,2 gr de proteína por kg de peso do paciente.

No entanto, todo o restante permanece normal. Frutas, legumes e gorduras são consumidas sem restrições. Como é lógico, se aumentarmos o consumo de proteína, com certeza será às custas de comer uma menor quantidade de outros alimentos; mas não há uma restrição literal no conceito da dieta hiperproteica.

Não fica muito longe de uma dieta normal, exceto pelo maior teor de proteína e por isso é fácil de ser seguida se formos conscientes dos objetivos que queremos alcançar. Embora em primeiro lugar seja necessário levar em consideração as características e a situação do paciente, ela seria aconselhável para pacientes com:

Sobrepeso ou obesidade

Numerosos estudos mostraram que, aumentando ligeiramente o teor de proteína da dieta, favorecemos a perda de peso. A menos que estejamos completamente desnutridos ou com severa deterioração física, o último recurso do nosso corpo para obter energia são as proteínas.

Mulher com sobrepeso abraçando uma balança

Assim, podemos dizer que as calorias das proteínas não vão ser aproveitadas pelo corpo; então se não fizermos exercício para que dessa forma elas acabem formando massa muscular; elas acabarão sendo eliminadas na urina.

É claro que, se o nosso objetivo é a perda de peso (ainda que a dieta hiperproteica não tenha esse objetivo) a redução nas calorias acontecerá às custas do consumo de gordura, aumentando portanto a quantidade de proteínas.

Atletas

Assim como dissemos, se treinamos o corpo e fizermos com que o músculo tenha que se desenvolver para aguentar esse nível de estresse (porque afinal de contas o esporte é um estresse para o corpo em todos os sentidos) as proteínas que consumimos vão nos tornar mais fortes.

Feridas e queimaduras

Quando o corpo sofre uma lesão, o mais importante para ele é se recuperar. Todos os nossos tecidos são compostos de uma maior ou menor concentração de proteínas. Variável, mas totalmente necessária. Então, se além de necessidades básicas, nós fornecemos uma quantidade extra de proteína, encorajaremos assim a reparação dos tecidos.

Dieta cetogênica

Se, por padrão, decidirmos seguir uma dieta cetogênica, as coisas se complicam. Para produzir uma cetogênese no corpo, aumentamos as proteínas na dieta; isso acontece às custas da eliminação dos carboidratos. Ou seja, se tivermos que eliminar o pão, as massas, o arroz, os cereais e as farinhas, e limitar ao máximo as frutas e verduras, o que nos resta então?

Quando o corpo tem pouca glicose, que vem de todas as fontes alimentares que contêm carboidratos, ele passa à produção de corpos cetônicos. Estas substâncias são capazes de realizar as mesmas funções que a glicose; mas com muito pouca eficiência.

Sintomas e sinais

É por isso que podemos nos sentir cansados, para não dizer exaustos, quando estamos nessa dieta há alguns dias e nossas reservas de glicose estão chegando ao fim. Dores de cabeça, cefaleias, irritação… Sintomas típicos da abstinência do nosso vício em açúcar.

O aumento do odor corporal, a sudorese e a micção, por exemplo, são características muito presentes quando estamos atingindo a metade da duração da dieta. Não é aconselhável estender dietas tão restritivas assim em alimentos ricos em vitaminas e minerais.

Preocupe-se com o que você faz

Se você está pensando em fazer uma dieta como esta dieta cetogênica, assegure-se que você faça isso da forma correta. Receba conselhos de especialistas no campo. Assim como já dissemos anteriormente, frutas e legumes são restritos. Você pode comer uma pequena quantidade desses produtos porque a glicose é necessária para as funções que só ela é capaz de realizar.

Mas à medida que aumentamos a quantidade de glicose que consumimos, a produção de corpos cetônicos pode não ser significativa e assim não vamos obter os resultados esperados. E não será culpa da dieta que não funciona; mas sim do mau planejamento alimentar.

Isso caso aumentarmos a quantidade de glicose; mas quando consumimos baixos níveis dela, as consequências podem ser desde um leve desmaio até alterações da motilidade. Sem mencionar que, se continuarmos em cetogênese por muito tempo, então o deficit de vitaminas e minerais está quase garantido.