O pick and roll: a jogada mais emblemática do basquete

13 de julho de 2019
Entre as jogadas características do basquete, talvez o pick and roll seja uma das mais emblemáticas. Vamos te contar do que se trata e em que situações de jogo ela é usada.

As variações técnicas e táticas são praticamente infinitas no basquete. Como já mencionamos em ocasiões anteriores, o jogo coletivo predomina sobre o talento individual. O pick and roll é, talvez, uma das demonstrações mais claras dessa afirmação.

Dentro desse mundo todos os detalhes se tornam essenciais. Algumas jogadas, como é o caso do pick and roll, são eficazes por mais que sejam repetidas desde que sejam executadas no momento certo e da forma correta.

O que é o pick and roll?

Traduzido para o português, pick and roll nada mais é do que bloqueio e continuação. Provavelmente estamos falando sobre a jogada ofensiva colaborativa mais usada no basquete.

Consiste, em essência, que o jogador com a bola receba a ajuda de um companheiro de equipe, que bloqueia o seu defensor para permitir que ele continue em direção à cesta ou procure o passe em direção a um companheiro em uma posição vantajosa.

Ao executar o pick and roll, a agilidade e a mobilidade dos homens altos se tornam um requisito essencial para que a jogada seja bem-sucedida.

Temos que ter em mente que são os pivôs e alas que devem fazer um bloqueio para liberar o jogador com a bola, de tal forma que ele seja capaz de penetrar ou passar a bola para um companheiro desmarcado.

O pick and roll geralmente é executado principalmente no início ou no final de um ataque. No entanto, existem outras variações menos utilizadas, as quais discutiremos a seguir.

O pick and roll inicial

Geralmente é um dos jogadores mais baixos que fará a bola subir para dar início ao ataque. Uma vez que ele tenha cruzado o meio da quadra, um dos jogadores altos deve ir para a linha de 6,75 para fazer um bloqueio direto.

O pick and roll inicial

Por meio dessa ação simples, tenta-se obter um desajuste defensivo que altere o desenvolvimento normal dos pares. É o que geralmente chamamos de ‘mismatch’, no qual um jogador baixo e um jogador alto ficam frente a frente.

A partir daqui existem diferentes opções para serem executadas, dependendo se o jogador baixo enfrentando um alto é do nosso time ou se, pelo contrário, é o nosso pivô quem tem que enfrentar o armador rival.

Do outro lado da moeda, a defesa tende a reagir de duas maneiras na tentativa de evitar esse problema:

  • Se falharem em antecipar o bloqueio, ocorrerá uma troca de jogador e as nossas chances de fazer uma cesta serão altas.
  • Caso os defensores percebam as nossas intenções, eles provavelmente vão reagir com um longo flash, o que permitirá que o defensor externo que está recebendo o bloqueio recupere a posição com o seu par através da ajuda do pivô, mas sem produzir uma troca de jogador.

Esta jogada coletiva era muito utilizada pelo Barcelona no final da etapa de Xavi Pascual no banco. Sem dúvida o luxo de contar com jogadores como Marcelinho Huertas ou Ante Tomic no seu elenco ajudava bastante.

O pick and roll final

Com esse termo nos referimos àquelas situações nas quais o pick and roll é realizado quando faltam poucos segundos de posse, momento no qual devemos avançar rapidamente se não quisermos cometer uma violação.

Nesse caso, o normal é que a agressividade defensiva do rival aumente e as trocas de jogador ocorram de forma mais generosa na tentativa de salvar os momentos finais de posse.

De fato, esta atitude defensiva não é trivial, já que tentar recuperar a posição na defesa de qualquer jeito pode gerar um arremesso confortável ou uma penetração. Essas opções, sem dúvida, ocorrem com menos frequência quando há uma alteração nos pares.

Qual é a desvantagem deste pick and roll final? Obviamente a necessidade de resolvê-lo imediatamente ameaça a sua execução. No entanto, partimos com a vantagem de encontrar o tão procurado mismatch com maior facilidade.

O pick and roll final

Execução do pick and roll final

Como características essenciais desse subtipo de pick and roll podemos apontar:

  1. Nosso jogo ofensivo deve ser focado nos jogadores participantes da jogada, enquanto o restante é relegado a um segundo plano. Para evitar interferências, os coadjuvantes devem abrir o máximo possível e, assim, alcançar uma maior qualidade dos espaços.
  2. O peso do ataque recai, sem dúvida, no jogador baixo com a bola, que deve decidir em questão de segundos, depois de receber o bloqueio, se vai penetrar no garrafão, forçar um arremesso rápido ou se associar ao bloqueador fazendo uma assistência.

Por fim, como exemplo, deixamos um vídeo com essa pequena variação do pick and roll. Dessa forma, é possível ilustrar e resolver as dúvidas que tenham ficado a respeito.

  • Marmarinos, C., Apostolidis, N., Kostopoulos, N., & Apostolidis, A. (2016). Efficacy of the “pick and roll” offense in top level European basketball teams. Journal of Human Kinetics50(2), 121–129. https://doi.org/10.1515/hukin-2015-0176
  • Vaquera, A., Cubillo, R., García-Tormo, J. V., & Morante, J. C. (2013). Validation of a tactical analysis methodology for the study of pick and roll in basketball. Revista de Psicologia Del Deporte22(1), 277–281.