Você sabe o que são os superalimentos?

15 de fevereiro de 2020
Atualmente, é comum ouvir sobre os superalimentos e os seus enormes benefícios para a saúde. Tudo o que ouvimos sobre eles é verdade?

Em uma sociedade conectada e na qual a informação é abundante, é importante ser crítico e saber em quais fontes confiar. Se procurarmos por superfoods em qualquer mecanismo de busca, vamos encontrar inúmeros resultados. No entanto, não há uma definição técnica para os superalimentos. O que precisamos saber sobre eles?

Esses alimentos são caracterizados por ter uma quantidade elevada de certos nutrientes. Podem ser minerais, vitaminas, antioxidantes, ácidos graxos essenciais, etc.

Além disso, eles geralmente têm uma origem distante ou até mesmo exótica. Chia, chlorella, quinoa, açaí, goji berry, kombucha, kale, cúrcuma e spirulina são alguns dos mais conhecidos, mas existem muitos outros.

O uso de plantas medicinais

O aumento de doenças crônicas, obesidade, ansiedade e depressão levaram a um aumento no uso de terapias alternativas. Nesse contexto, houve um aumento no consumo de plantas medicinais.

Considera-se planta medicinal qualquer espécie vegetal total ou parcialmente dotada de atividade farmacológica. Esse fato deveria nos colocar em estado de alerta: assim como o seu consumo pode nos trazer benefícios, interações prejudiciais à saúde também podem ocorrer.

Por exemplo, o ginseng é comumente usado para aumentar a vitalidade, memória e atividade sexual. No entanto, se consumido por uma pessoa em tratamento com antidiabéticos orais, ele pode causar hipoglicemia.

Outro exemplo seria a erva de São João, usada como antidepressivo, para queimaduras e cicatrizes. Essa erva interage com medicamentos inibidores da monoamina oxidase (MAOI), portanto, ela não deve ser consumida se a pessoa estiver sendo tratada com antidepressivos. 

As interações entre plantas e medicamentos são mais comuns do que imaginamos. Por isso, essas preparações deveriam ser vendidas exclusivamente em farmácias.

os superalimentos

As especiarias fazem parte dos superalimentos?

Além das ervas medicinais, falaremos a seguir sobre outras plantas consideradas superalimentos: a cúrcuma e o gengibre.

A cúrcuma é uma espécie originária do sudoeste da Índia, que era usada tradicionalmente como um corante. No entanto, é a sua capacidade antioxidante que despertou interesse científico e lhe deu maior utilidade.

Atualmente, é usada para doenças com um componente inflamatório, tais como artrite, câncer, diabetes, psoríase, aterosclerose, etc. No entanto, sempre é utilizada de forma complementar ao tratamento de base.

Por outro lado, certamente muitos já ouviram dizer que o gengibre alivia alguns problemas digestivos, tais como náuseas e vômito na gravidez. Se você quiser se aventurar e experimentar, pode preparar um chá de gengibre ou uma sopa quente.

Onde eles são encontrados?

A maca é importada dos Andes, o açaí é do Brasil e o Goji Berry do Himalaia, por exemplo.

Eles podem ser adquiridos online ou em lojas especializadas. Nos dois casos, paradoxalmente, é muito comum encontrá-los como produtos orgânicos ou biológicos.

São considerados alimentos sustentáveis ​ aqueles que respeitam a biodiversidade, atendem aos padrões de qualidade estabelecidos, são produzidos localmente, têm baixo impacto ambiental e mantêm um compromisso social. Qual é o sentido de produzir um alimento sem usar pesticidas e então comercializá-lo a cem mil quilômetros de distância?

“Se a sua dieta não for saudável, nenhum superalimento a tornará boa. E se a sua dieta for saudável, um superalimento não vai melhorá-la”-
–Lucía Martínez Argüelles–

Porções para o consumo dos superalimentos

Outro problema por trás do consumo dos superalimentos é definir a quantidade que precisa ser consumida para perceber o efeito desejado. Certamente isso ficará mais claro com outro exemplo.

As sementes de chia, originárias do México, são uma boa fonte de fibras, proteína vegetal, ácidos graxos ômega 3, ferro, cálcio e potássio. No entanto, o seu conteúdo de fibras não pode ser comparado com o conteúdo das lentilhas, nem o seu conteúdo de ômega 3 com o do salmão.   

Por que isso acontece? Porque a porção consumida é muito pequena. Não podemos comer 100 gramas de chia de uma vez só, mas podemos consumir 100 gramas de lentilhas ou de salmão.

Diante disso, seria interessante incluir as sementes na dieta, especialmente para as pessoas veganas, a fim de melhorar a qualidade da alimentação. Porém, devemos estar cientes de que o seu consumo não substituirá as deficiências de outros nutrientes nem melhorará a saúde de um modo geral.

os superalimentos

Conclusões

Tendo comentado tudo o que foi exposto, podemos estabelecer algumas conclusões sobre os superalimentos. Em primeiro lugar, em alguns casos eles não são nativos e, portanto, são menos sustentáveis. São produtos caros e as suas propriedades geralmente são exageradas.

Além disso, se a nossa alimentação for adequada, atenderemos a todos os requisitos nutricionais. Em caso de déficit, podemos consumir suplementos específicos. Em resumo, eles são desnecessários.

Finalmente, devemos ter em mente que os superalimentos não compensam uma dieta ruim. Uma das principais razões para apoiar essa alegação é o fato de que eles são consumidos em pequenas quantidades.

  • Mintel. (2016). Superalimentos: A cuáles prestar atención en 2016 | Mintel.com. Retrieved from http://es.mintel.com/blog/alimentos/superalimentos-a-cuales-prestar-atencion-en-2016
  • Mulet, J. M. (2018). ¿Superalimentos? Quinoa, antioxidantes, bayas de goji, espirulina y algas. Fronteras de La Ciencia3, 80–83. https://doi.org/10.18562/fdlc0038