A velocidade ao andar pode prever uma vida mais longa

9 de novembro de 2019
Para ter uma vida mais longa e de maior qualidade no dia a dia, muitos parâmetros e certos hábitos devem ser levados em consideração. De que forma a velocidade ao andar influencia nisso?

Um estudo muito interessante realizado nos Estados Unidos avaliou o modo de andar de cerca de 35 mil pessoas durante 21 anos. O objetivo: estabelecer parâmetros sobre o modo e a velocidade das pessoas ao andar. Os resultados nos convidam a refletir sobre uma atividade que é tão frequente quanto necessária.

O relatório, da Universidade de Pittsburgh, foi publicado na revista Live Science. Nele, é relatada a extensa pesquisa cujos protagonistas foram mulheres e homens a partir dos 65 anos de idade. A premissa era a de que a velocidade ao andar poderia ser um indicador de saúde e longevidade.

Por que a velocidade ao andar pode prever a longevidade?

Prever a longevidade de uma pessoa raramente leva a números precisos. No entanto, os cientistas de Pittsburgh decidiram testar uma hipótese sobre como a velocidade ao andar influencia na saúde das pessoas e vice-versa. Foi assim que eles decidiram acompanhar mais de 30 mil pessoas entre 1986 e 2000.

Responsável pelo estudo, a Dra. Stephanie Studenski tomou como premissa o seguinte fato, de acordo com as suas próprias palavras:

“Andar implica uma regulação específica de energia e movimento, com foco no ponto de apoio. Ao caminhar, uma multiplicidade de sistemas orgânicos entra em ação, de modo que o coração, o sistema circulatório, respiratório, nervoso, muscular e esquelético são ativados em maior ou menor grau”.

Como foi medida a velocidade ao andar dos participantes?

Da mesma maneira que se mede a velocidade de qualquer veículo, a pesquisa foi baseada na relação entre espaço e tempo. Dessa forma, a velocidade ao andar foi medida de acordo com a distância percorrida em um segundo, medida em metros por segundo.

A velocidade ao andar pode prever uma vida mais longa

A referência na realização deste estudo foi de seis metros a partir de um ponto  e a intenção era a de que as pessoas andassem em um ritmo normal, assim como faziam diariamente.

Em média, os participantes andaram a uma velocidade de 0,92 metros por segundo. Como esperado, muitas dessas pessoas morreram antes do final do período da pesquisa. Assim, mais de 17.000 voluntários morreram durante a primeira década após o início do estudo.

Os resultados da pesquisa

Os resultados mostraram que 85% dos que morreram antes dos 70 anos não ultrapassavam 0,6 metros por segundo. Por outro lado, aqueles que sobreviveram por mais de 10 anos após os 70 anos superavam essa medida.

O mais interessante é que os especialistas perceberam que é após a sétima década de vida que a velocidade ao andar tem maior destaque com relação à saúde.

Assim, o estudo poderia estabelecer parâmetros de saúde e mortalidade de acordo com a observação motora de idosos. No entanto, vale ressaltar que esses valores são relativos. Tudo vai depender de circunstâncias específicas ao analisar a saúde de uma pessoa.

A importância da velocidade ao andar para a longevidade

A Dra. Studenski aponta que as pessoas que atingiram um metro por segundo em geral alcançaram uma expectativa de vida bastante longa. De acordo com essa tese, alguém pode viver cem anos depois de ter se movido durante a vida inteira com muita calma.

No entanto, no estudo, é importante notar que as pessoas que aumentaram a velocidade ao andar gradualmente conseguiram alcançar uma maior longevidade.

Esse dado, que parece óbvio à primeira vista, na verdade é muito útil na prática para implementar dispositivos de prevenção e tratamento para pessoas com mais de 70 anos.

Idosa alongando no parque

De acordo com essa ideia, o médico especialista em geriatria Matteo Cesari opina que é “estatisticamente aceitável” incluir a velocidade ao andar dos idosos no cálculo da expectativa de vida.

O especialista, originário de Roma, concorda que os resultados da pesquisa fornecem aos médicos ferramentas para medir a saúde dos seus pacientes.

Como conclusão, podemos citar Cesari novamente:

“Os médicos podem ter uma ideia bastante completa dos seus pacientes apenas olhando para eles. No entanto, padronizar a observação permite que um maior número de acertos seja obtido.”

Dessa forma, os profissionais poderiam usar a velocidade ao andar dos idosos como um parâmetro unificador. O objetivo seria o de oferecer diagnósticos e tratamentos mais adaptados a cada caso.

  • Iris Tse. 2011. ¿Lo rápido que caminas puede predecir cuánto tiempo vas a vivir? Extraído de: https://www.livescience.com/10406-fast-walk-predict-long-youll-live.html
  • Asociación A Pie. Beneficios de andar. Extraído de: http://www.asociacionapie.org/apie/Activamadrid_documento%20salud-web.pdf