Senna e Prost, uma história de rivalidade

· 22 de março de 2019
Senna e Prost protagonizaram a maior história de rivalidade do mundo da Fórmula 1. Estes dois homens tinham um talento que marcou toda uma época.

É impossível falar de Alain Prost sem mencionar Ayrton Senna e vice-versa. Ambos protagonizaram a maior história de rivalidade da Fórmula 1. Temporadas atormentadas por conflitos, dentro e fora da pista, brigas, raiva e tensão, muita tensão. Sem dúvida, Senna e Prost se tornaram lendas da Fórmula 1.

Uma rivalidade que começou em uma inocente exibição com carros de rua chegou ao seu auge na época em que ambos eram companheiros de equipe na McLaren e terminou com a trágica morte de Senna.

O começo da rivalidade

A primeira vez que Senna e Prost se viram foi em uma exibição no circuito alemão de Hockenheim, na primavera de 1984. Tratava-se de uma corrida inaugural amistosa, com carros de rua. E embora os dois tenham chegado juntos no circuito em uma atmosfera de cordialidade, ela desapareceu assim que a corrida acabou.

Senna e Prost, uma história de rivalidade

Foto cortesia de: grandprix247.com

Prost disse à imprensa em várias ocasiões que, embora nos momentos antes da corrida eles tenham conversado cordialmente, no final da corrida, Senna não voltou a falar com ele. Talvez porque o francês foi o vencedor da prova.

Naquele momento, Prost já era piloto da McLaren e Senna começava a sua carreira na Fórmula 1 com a equipe Toleman. Um piloto veterano diante de um novato que daria muito o que falar.

1988, o começo da guerra

No mundo da Fórmula 1, a frase “não devemos colocar dois galos em um mesmo galinheiro” já foi dita várias vezes, mas foi exatamente isso o que a McLaren fez. Compartilhar a equipe foi o que fez com que Senna e Prost se tornassem os maiores rivais.

A primeira temporada foi relativamente pacífica, pelo menos quando comparada ao que viria a seguir. Senna chegou à McLaren, onde Prost já estava há várias temporadas e tinha uma merecida reputação.

Ao longo da temporada, eles competiram em um nível altíssimo, dividindo as vitórias. No Grande Prêmio de Portugal houve uma das primeiras manobras que acabariam com a cordialidade.

Senna encurralou Prost no muro dos boxes e ele, ao invés de desacelerar, continuou a acelerar e acabou vencendo a corrida. Mais tarde, Senna pediu desculpas.

Na última corrida da temporada, o Grande Prêmio do Japão, ambos disputavam o campeonato mundial. Em uma das melhores corridas da história da Fórmula 1, Senna ficou parado na largada, mas teve uma recuperação espetacular debaixo de chuva até chegar à primeira posição e ser proclamado campeão mundial.

1989, Prost campeão

Prost e Senna rivais
 Foto cortesia de: Stuart Seeger.

A temporada seguinte trouxe um aumento na tensão entre os dois pilotos. No GP de San Marino, Prost acusou Senna de ter quebrado o pacto que haviam feito de se respeitar na pista. Desde então, surgiram os confrontos entre os dois, dentro e fora dos circuitos.

O desenrolar da temporada não foi tão nivelado quanto na anterior. Senna teve quebras de todos os tipos enquanto Prost somava pódios. Mais uma vez, o Grande Prêmio do Japão trouxe uma confusão entre os dois pilotos.

Senna tinha que ultrapassar Prost se quisesse continuar com chances de conquistar o título. Quando os dois se encontraram na pista, acabaram batendo. Senna voltou à corrida e venceu, mas foi desclassificado. Prost foi proclamado campeão mundial e foi contratado pela Ferrari.

1990, Senna tem a sua revanche

Senna na fórmula 1

Em 1990, Ayrton Senna competiu no mais alto nível, permanecendo como líder do mundial durante praticamente todo o campeonato. No entanto, Prost continuava tendo chances.

Para surpresa do brasileiro, depois de fazer a pole, a FIA indicou que havia mudado o grid de largada e que ele teria que largar pelo lado sujo. Senna, irritado, manteve a trajetória na largada e ambos os pilotos terminaram na brita no final da primeira curva. Foi assim que ele foi proclamado campeão mundial.

O fim da rivalidade

A rivalidade continuou nos anos seguintes, e somente na aposentadoria de Alain Prost (em 1993), eles fizeram as pazes. De fato, na última corrida de Prost, os dois se abraçaram e brincaram no pódio. Dessa forma, isso colocou um ponto final na maior rivalidade da história da Fórmula 1.

Posteriormente, Senna reconheceu que as corridas sem Prost não eram a mesma coisa e que eles até mesmo se falavam por telefone com frequência. Quando o trágico acidente pôs fim à vida de Senna, Prost viajou para São Paulo para levar o seu caixão. Além disso, Prost também passou a ser membro da Fundação Ayrton Senna.