Osteopatia dinâmica do púbis: fundamentos de um programa preventivo

5 de março de 2020
Neste artigo, vamos mostrar todas as informações sobre os critérios que podem te ajudar a conhecer os fundamentos de um programa preventivo para evitar as lesões no púbis. Não perca!

No artigo a seguir, vamos discutir um tópico muito interessante e complexo, sobre o qual ainda há muito a ser estudado: a osteopatia dinâmica do púbis. 

O objetivo é oferecer as informações descritas na literatura científica, a fim de esclarecer e associar critérios básicos que ajudem o leitor a conhecer os fundamentos de um programa preventivo.

Programa preventivo da osteopatia dinâmica do púbis (ODP)

Um programa preventivo se baseia, em geral, na tonificação adequada e no equilíbrio de todos os grupos musculares. É importante planejar treinos voltados ao trabalho e à melhora dos músculos envolvidos nesse segmento corporal ao longo do ano de treinamento, e não apenas durante os períodos de dor.

Para isso, uma série de objetivos deve ser alcançada. Fatores intrínsecos modificáveis ​​serão levados em consideração como aspectos importantes para determinar o programa de prevenção a ser desenvolvido.

Objetivos a serem alcançados

Arencibia Sánchez (2012) expõe alguns dos propósitos a serem perseguidos com esse tipo de programa:

  • Fortalecer o abdômen.
  • Ganhar flexibilidade nos músculos adutores.
  • Igualar a proporção de força entre os músculos adutores das duas pernas.
  • Valorizar os músculos rotadores do quadril e isquiotibiais.
  • Compensar possíveis alterações entre a musculatura agonista e antagonista.

Fatores intrínsecos modificáveis

Esses fatores são definidos como aqueles que podem ser potencialmente modificados para reduzir o risco de lesões para o atleta. Essa variação ocorre através da implementação de estratégias preventivas. Entre elas, destacamos o seguinte:  

  • Nível de treinamento específico.
  • Percentual de gordura.
  • ADM (amplitude de movimento) da musculatura abdutora e do quadril.
  • Proporção de força no abdutor e adutor.
  • Força e comprimento dos adutores.
  • Recrutamento e força dos músculos abdominais.
  • Ativação do transverso abdominal.
  • Alterações posturais e biomecânicas.
Osteopatia dinâmica do púbis

Pilares para a prevenção da osteopatia dinâmica do púbis

Este protocolo é baseado em uma série de aspectos fundamentais a serem desenvolvidos no atleta dentro dos fundamentos de um programa preventivo. Podemos destacar os seguintes:

Flexibilidade

Existem vários estudos que defendem o uso do alongamento como fundamento de um programa preventivo. Esses alongamentos devem ser estáticos e focados em grupos musculares, tais como: adutores, isquiotibiais, abdominais, oblíquos, iliopsoas e pelvitrocanterianos.

Além disso, são muito úteis as manobras baseadas nos princípios de contração, relaxamento e alongamento e o uso de posições favoráveis ​​para obter ganhos de flexibilidade.

Reeducação proprioceptiva

Destina-se a desenvolver o controle e a estabilidade da pelve. Em uma primeira fase, será realizada sobre uma superfície estável. Posteriormente, passa-se para uma superfície instável.

Nos dois casos, um trabalho de dissociação do tronco e membro inferior é realizado juntamente com exercícios de equilíbrio nas tuberosidades isquiáticas. Em seguida, isso seria complementado com outros exercícios específicos.

Controle motor, essencial para evitar a osteopatia dinâmica do púbis

Para a prevenção, é essencial executar um bom programa de controle motor. O trabalho será dirigido principalmente para a região posterior, o glúteo máximo e a região lombar. Esse treinamento é importante porque qualquer disfunção nessa área compromete a estabilidade da sínfise púbica.   

A osteopatia dinâmica do púbis, em muitos casos, não está isolada e pode estar relacionada a uma alteração na articulação sacroilíaca ou lombalgias.

Reforço muscular excêntrico

Outro fator a ser considerado para os fundamentos de um programa preventivo é o treinamento excêntrico, que consiste em desenvolver os músculos a partir das contrações em alongamento. 

Esse reforço se concentra na área afetada, isto é, nos grupos musculares envolvidos nesse quadro patológico. O objetivo é restaurar eventual desequilíbrio que a lesão possa ter causado.  

Estabilidade pélvico-lombar

É outro ponto-chave que nos ajuda a entender a osteopatia dinâmica do púbis, pois depende da relação entre os diferentes elementos estabilizadores que compõem a estrutura.

É necessário ter um adequado controle neuromuscular do tronco e uma estabilidade pélvico-lombar apropriada, pois um déficit causaria lesões esportivas na área. Se adicionarmos a essa causa um maior protagonismo do músculo adutor, podemos iniciar um quadro clínico de ODP ou pubalgia.

Osteopatia dinâmica do púbis

Aplicação prática para prevenir a osteopatia dinâmica do púbis

Antes de planejar os diferentes protocolos ou treinamentos que serão realizados, é necessário conhecer os tipos de musculatura, tônica ou fásica, bem como os benefícios e a aplicação do trabalho excêntrico ou concêntrico em uma determinada estrutura. 

Tipos de musculatura

Musculatura fásica ou dinâmica:

  • Prevalência de fibras rápidas.
  • Principais características: intervenção do metabolismo anaeróbico, baixa resistência à fadiga, alta velocidade de contração, músculos de movimento.
  • Musculatura que, diante de inatividade ou patologia, tende à hipotonia e alongamento.
  • Os músculos que formam essa musculatura são: músculos da parede abdominal, vasto interno, vasto externo e glúteo máximo.

Musculatura tônica ou estática:

  • Prevalência de fibras lentas.
  • É caracterizada por: predominância do metabolismo aeróbico, grande resistência à fadiga, tem baixa velocidade de contração e são músculos posturais.
  • Musculatura que, diante de inatividade ou patologia, tende à hipotonia e encurtamento.
  • Alguns dos músculos que a formam são: o psoas, os adutores, o tensor da fáscia lata, os isquiotibiais, o piramidal e o quadrado lombar.

Trabalho excêntrico para os músculos tônicos

Esse tipo de treinamento visa criar sarcômeros em série,; isto é, tem uma tendência a alongar o músculo. É importante destacar que isso pode ser feito em amplitude total ou em amplitude externa. 

A amplitude total é caracterizada por contração completa e alongamento completo do músculo. Causa um aumento da amplitude de movimento e do comprimento total do componente contrátil.

Enquanto isso, a amplitude externa se refere a uma contração incompleta e a um alongamento total, o que causa um aumento no comprimento muscular pelo crescimento dos tendões.

Osteopatia dinâmica do púbis

Trabalho concêntrico para a musculatura fásica

O treinamento concêntrico é orientado para a criação de sarcômeros em paralelo. Em outras palavras, ele tem uma tendência a causar o encurtamento do músculo. Além disso, é interessante saber que ele pode ser trabalhado em amplitude média ou interna.

A amplitude interna se refere à contração completa e ao alongamento incompleto, o que causa tanto uma diminuição do componente contrátil quanto do comprimento total do músculo.

Por outro lado, a amplitude média é caracterizada por uma contração incompleta e um alongamento incompleto. Isso gera uma perda de amplitude de movimento causada por uma diminuição do componente contrátil.

Osteopatia dinâmica do púbis: conclusão

As lesões no púbis que podem surgir não são todas iguais. Portanto, poderíamos aplicar o mesmo plano preventivo para cada uma delas? É necessário um protocolo individualizado para cada atleta? Trabalharíamos da mesma maneira para a prevenção da ODP em todos os esportes? 

É importante ter em mente que, dentre os planos preventivos, não podemos usar o mesmo plano para todos os atletas, nem existe um protocolo universal. Isso ocorre porque cada indivíduo precisa de seus próprios ajustes e cada profissional enfrenta a lesão a partir do seu ponto de vista e especialidade.  

Portanto, há uma necessidade crescente de trabalhar de maneira multidisciplinar para ter uma maior chance de sucesso, bem como de individualizar o programa para cada atleta.

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