Novo avanço científico: perder gordura localizada

27 de janeiro de 2020
Faz tempo que a atividade física deixou de ser uma prática rudimentar e começou a ser estudada em profundidade. Uma das questões mais estudadas é: podemos perder gordura localizada em áreas específicas do corpo?

Os verdadeiros profissionais da atividade física e do esporte não se baseiam apenas em opiniões ou experiências pessoais, mas sim em estudos acadêmicos rigorosos. Recentemente, novos estudos afirmaram que é possível perder gordura localizada em uma área específica do corpo. O que essas teorias postulam?

O sistema de reservas do corpo humano

Os lipídios ou gorduras são um dos componentes do corpo humano. Esses elementos têm funções importantes para o sistema:

  • São uma fonte de energia para o dia a dia.
  • Realizam processos de termorregulação para a proteção contra o frio.
  • Servem para sustentar e proteger os órgãos, juntamente com os músculos e ossos.
  • Fornecem ácidos graxos para beneficiar a massa tecidual – a epiderme ou pele.
  • Ajudam a absorver vitaminas, tais como as vitaminas A, D ou K.
  • Intervêm nos processos hormonais.

Portanto,  não devemos eliminar totalmente as gorduras para ter um corpo escultural, saudável e com bom desempenho esportivo. Simplesmente devemos levar em consideração o fato de que devemos alcançar níveis apropriados desse componente.

Dados atuais sobre saúde e gordura

Segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde – quando o percentual de gordura corporal em adultos, de preferência medido através da bioimpedância elétrica, excede 25% do total nos homens e 32% nas mulheres, há obesidade.

A partir dessa porcentagem, a obesidade é catalogada por graus, de I a IV. Quanto mais subirmos na balança, mais séria é a situação de um indivíduo. Por outro lado, níveis extremamente baixos de lipídios também são prejudiciais à saúde, levando assim a problemas como a anorexia ou um desempenho mental inadequado.

Novo avanço científico: perder gordura localizada

Como perder gordura localizada? Estudos científicos anteriores

O pensamento estabelecido descrevia que as reservas de gordura formavam um todo completo no corpo humano. Dessa forma, não era possível perder gordura em uma área específica do corpo, de maneira localizada.

Ao serem consumidas como recursos energéticos, acreditava-se que as gorduras fossem um combustível comum, independentemente da área muscular trabalhada por uma atividade específica. Ou seja, funcionariam como um único tanque de recursos.

A revolução do novo avanço

De acordo com um estudo científico recente, a chave não está na combustão de gorduras diante de um sistema de treinamento qualquer. A pergunta é: e se houver um método de treinamento que permita às pessoas perderem gordura nas áreas que desejam?

A partir de novos estudos em fisiologia do exercício, verificou-se que, por meio de um treinamento específico e misto, o objetivo de muitas pessoas que procuram perder gordura apenas em determinadas áreas pode ser alcançado. O método proposto é o que vamos descrever na próxima seção.

A chave para perder gordura localizada: treinamento simultâneo

Denomina-se treinamento simultâneo ou misto o sistema que aplica métodos que podem ser opostos em relação à especificidade. Por exemplo, força e resistência. Seguindo esse modelo, foi planejado um treino de oito semanas para os indivíduos estudados, da seguinte forma:

  • Grupo 1: exercícios de força para a parte superior do corpo, seguidos diretamente por 30 minutos de pedalada em intensidade média.
  • Grupo 2: exercícios de força para a parte inferior do corpo, seguidos sem descanso por 30 minutos de exercícios com o cicloergômetro para os braços.

Resultados

Os resultados mostraram uma redução global de gordura nos dois grupos. No entanto, no grupo 1 houve uma redução maior desse índice nos braços do que nas pernas. Enquanto isso, no grupo 2, a redução de gordura foi maior na parte inferior do que nas extremidades superiores.

Da mesma forma, o grupo 1 mostrou um aumento maior na massa livre de gordura nas pernas do que nos braços. No entanto, não houve diferenças entre as melhorias de massa sem gordura entre braços e pernas no grupo 2.

Esses resultados nos dizem que o treinamento de força realizado antes de um exercício aeróbico pode se concentrar em regiões específicas do tecido adiposo, causando assim a perda de gordura localizada. Dessa forma, são rompidos os moldes estabelecidos anteriormente.

Novo avanço científico: perder gordura localizada

Perda de gordura localizada: ainda há muito a ser estudado

É uma necessidade para toda a comunidade profissional abrir a mente e deixar de lado o orgulho para aceitar novas possibilidades.

Os novos postulados que comentamos hoje estão apenas começando a trilhar o seu caminho, e certamente haverá muitos treinadores e médicos que se recusarão a mudar a maneira de trabalhar de um dia para o outro.

No entanto, essa descoberta é um ótimo primeiro passo para continuar melhorando os planos de treinamento físico. Assim, cada pessoa que queira viver de uma maneira mais saudável encontrará os melhores métodos para fazer isso.

  • Maricarmen Chacín; Joselyn Rojas; Carlos Pineda; Dalia Rodríguez; Maryluz Núñez Pacheco; María Márquez Gómez; Nilka Leal; Roberto Añez; Alexandra Toledo; Valmore Bermúdez Pirela. Predisposición humana a la obesidad, síndrome metabólico y diabetes: el genotipo ahorrador y la incorporación de los diabetogenes al genoma humano desde la Antropología Biológica. Centro de Investigaciones Endocrino-Metabólicas “Dr. Félix Gómez”. Facultad de Medicina. Universidad Bolivariana de Venezuela, Sede Zulia.
  • Scotto di Palumbo, A; Guerra, E; Orlandi, C; Bazzucchi, I; Sacchetti, M. Efecto del entrenamiento combinado de resistencia y resistencia sobre la pérdida de grasa regional.
  • Pérez-Gomez, Jorge, Vicente-Rodríguez, Germán, Ara Royo, Ignacio, Martínez-Redondo, Diana, Puzo Foncillas, José, Moreno, Luis A., Díez-Sánchez, Carmen, & Casajús, José A.. (2013). Effect of endurance and resistance training on regional fat mass and lipid profile. Nutrición Hospitalaria28(2), 340-346. https://dx.doi.org/10.3305/nh.2013.28.2.6200