Qual o destino do basquete europeu?

· 19 de março de 2019
O basquete europeu ainda tem um caminho difícil pela frente. No entanto, existem muitas expectativas de que isso mudará em breve.

Pela maneira como o basquete europeu evoluiu ao longo dos últimos anos, parece claro que as principais ligas estão procurando maneiras de se aproximar do modelo de competição americano.

E fazem bem, porque ele é um exemplo de como garantir a estabilidade econômica e financeira das instituições ao mesmo tempo em que se torna uma referência mundial.

A fim de alcançar a NBA, foi fundada a chamada Copa dos Campeões da Europa em fevereiro de 1958, organizada pela FIBA. Obviamente, tentando imitar o seu homônimo que estava sendo tão bem-sucedido no futebol.

Esta copa continental foi disputada até a temporada de 1999-2000, quando começou a ser disputada a chamada Euroliga. Então, poderíamos dizer que, nesse momento, os problemas que se arrastam até hoje começaram a surgir.

A FIBA não havia registrado o nome de “Euroleague” – apesar de ter feito uso dele desde 1996 – bastando que uma empresa privada o registrasse para que a maior instituição mundial ficasse sem recursos legais para usar o nome.

Buscando alcançar o posto de melhor liga do mundo que a NBA ocupa – e ocupava – e em uma tentativa de imitar o seu homônimo da UEFA – que havia alcançado tanto sucesso –  foi criada a Copa dos Campeões da Europa, em fevereiro de 1958, organizada pela FIBA Europe.

Um caminho difícil

Um caminho difícil da FIBA

Diante deste contexto, a Federação Internacional foi forçada a procurar por um novo nome para o seu campeonato europeu; o que fez com que, naquela temporada, houvesse duas competições continentais: a SuproLeague – antiga Copa da Europa – e a Euroliga.

As equipes convidadas para essas competições também participaram da disputa e dividiram a sua participação em ambas.

Por existirem duas competições, no verão de 2000, havia dois campeões: o Maccabi Elite pela SuproLeague e o Kinder Bologna pela Euroliga.

Os dirigentes das duas competições perceberam a necessidade de unificar ambas as competições, o que, juntamente com a forte posição da Euroliga, fez com que as equipes que haviam participado da SuproLeague aderissem a ela na temporada 2000/2001.

Desta forma, configurou-se um pacto de acordo com o qual a FIBA deve se responsabilizar pela organização das competições internacionais de seleções – Eurobasket, Mundobasket e Jogos Olímpicos – enquanto a Euroliga trata das competições continentais de clubes – Euroliga e ULEB.

Sistema de competição

Depois de ter explicado brevemente o árduo caminho que o basquete europeu teve que percorrer, é necessário falar um pouco sobre o sistema de competição, bem como suas modificações.

Essas mudanças estão sendo introduzidas gradualmente pela Euroliga, com o objetivo de aumentar a rentabilidade econômica – tornando assim a competição mais atraente para as equipes – e de atrair mais fãs. Sem dúvida, o objetivo a longo prazo é, mais uma vez, alcançar a NBA.

Modelo “Champions League”

Nos seus primórdios, a melhor competição continental contava com 24 equipes. Elas eram divididas em quatro grupos de seis times cada. Os quatro melhores de cada grupo se classificavam para uma segunda fase de grupos, composta por quatro grupos de quatro equipes cada.

O primeiro e o segundo lugar de cada grupo se classificavam para as quartas de final, onde disputavam o melhor de cinco jogos, antes de chegar ao Final Four.

Este modelo esteve em vigor por mais de 10 temporadas, apesar de ser pouco atraente para o espectador.

Encorajados pelas diferenças nas audiências televisivas e no fluxo de público nos ginásios existentes entre as primeiras fases e as quartas/Final Four, os dirigentes da Euroliga começaram a pensar em uma forma de melhorar a competição.

Sistema de competição

Modelo “misto”

A busca por um sistema de competição mais atraente para o espectador não teve – a princípio – uma incidência especial no número de equipes que participariam da Euroliga.

Manteve-se a cota de 24 equipes iniciais, que continuaram sendo divididas da mesma forma – quatro grupos de seis – modificando, no entanto, a segunda fase, que passou a ser dividida em dois grupos de oito.

Este sistema contribuiu para um maior número de duelos atrativos, com o consequente aumento das audiências e do volume de público médio nos ginásios.

Esta versão 2.0 da Euroleague não permaneceu vigente por muito tempo. Porém, os benefícios observados em relação ao modelo anterior aceleraram o processo que a Euroliga estava naturalmente destinada a seguir.

Modelo “SuperLiga Europeia”

Após este processo evolutivo, decidiu-se reduzir o número de participantes para 16, distribuídos da seguinte forma:

  • 11 equipes fixas, conhecidas como Licenças A.
  • 5 participantes que variam dependendo das circunstâncias esportivas – as chamadas Licenças B, C e D.

Todas as equipes agora competem em uma única fase regular – enfrentando todos contra todos – a partir da qual oito se classificam para as quartas de final. Esta primeira rodada é composta de uma série de melhor de cinco jogos, da qual saem as quatro equipes que vão jogar o Final Four.

Este sistema está em vigor desde a temporada 2016/2017. Em seu curto período de vida, ele provou a sua eficácia, graças ao elevado número de duelos atraentes que ocorrem a cada rodada.

Os fãs souberam agradecer através do consumo, o que, juntamente com o acordo com a IMG desde 2015, causou um aumento considerável nas receitas.

Os futuros passos do basquete europeu

Os futuros passos do basquete europeu

Tendo em conta este panorama, quais são os futuros passos do basquete europeu? Ou melhor, quais são os passos que devem ser dados para que ele possa se tornar um adversário da NBA?

O poder econômico da competição americana é o principal trunfo do seu basquete quando se trata de atrair talentos para a liga. Igualá-los passa pela criação de uma liga fechada com equipes fixas todos os anos.

Esse formato atrairia patrocinadores e capital para as equipes participantes, o que possibilitaria rivalizar – a longo prazo – com a melhor liga do mundo.

É evidente que isso implicaria em uma redução do poder que, atualmente, as ligas nacionais têm – elas praticamente passariam a ser uma divisão de base para as equipes que disputassem a verdadeira competição.

No entanto, essa liga fechada, que não poderia ser acessada por méritos esportivos, teria um difícil ajuste no direito à concorrência, já que seria exigida uma exceção específica nas normas aprovadas pelo Parlamento Europeu.