Posso confiar no rótulo dos alimentos?

· 5 de novembro de 2018
Os rótulos dos produtos que podem ser encontrados no supermercado trazem informações nutricionais valiosas, mas o problema geralmente está na nomenclatura indecifrável, atrás da qual componentes pouco saudáveis podem estar escondidos.

Embora seja muito importante ler o rótulo dos alimentos para assim saber quais ingredientes eles contêm e quais são as quantidades de gordura, açúcar ou sódio, por exemplo (entre outros dados), também é verdade que as informações que eles fornecem nem sempre são 100% verdadeiras.

Então, devo confiar neles ou não? Vejamos a seguir.

O que o rótulo dos alimentos nos diz?

A tabela que está na parte de trás das embalagens tem dados muito importantes que todos os consumidores deveriam conhecer. Por isso, recomenda-se ler o rótulo dos alimentos ainda que não sejamos médicos, nutricionistas ou cientistas.

Estas tabelas incluem dados relevantes, como por exemplo a quantidade de gordura, açúcares, sódio, carboidratos ou fibras que o alimento em questão contém. Elas também nos informam sobre ingredientes que podem gerar algum tipo de alergia (como por exemplo laticínios ou glúten) e as calorias fornecidas por cada porção.

Além disso, esses rótulos contêm a data de validade, a forma de conservação e que tipo de ingredientes foram usados para a sua preparação. Podemos ver por exemplo se o alimento tem conservantes, aditivos, aromatizantes, etc.

Confio ou não no rótulo dos alimentos?

Mulher mostrando um rótulo no mercado

Nem todos os consumidores olham o rótulo dos alimentos e essa é uma das razões pelas quais acabamos ‘comendo qualquer coisa’. Assim não temos consciência do que ingerimos e muitas vezes engordamos mesmo achando que estamos fazendo dieta.

Não prestar atenção a essa informação dá aos fabricantes a liberdade para nos enganar um pouco. Ou pelo menos para não informar como deveriam.

Por exemplo, se você ler na parte frontal da embalagem de um produto ‘com azeite de oliva’, talvez se você virar e ler a tabela nutricional notará que a porcentagem desse ingrediente é insignificante (menos de 2%).

Outros podem dizer ‘com óleo vegetal’ ou com ‘gordura vegetal’. No entanto, não especificam se são óleos de coco ou de palma, ricos em ácidos saturados e, portanto menos saudáveis do que os óleos de oliva ou de girassol, também vegetais.

Da mesma forma, uma embalagem pode afirmar que o produto não contém corantes e conservantes… Mas, prestando atenção na tabela nutricional, veremos o famoso ‘glutamato monossódico’.

Ele é um aditivo químico que realça o sabor e que certamente não é considerado um corante ou conservante, mas nem por isso é menos prejudicial para a saúde.

Existe uma regra que pode ser usada quando estamos fazendo a compra – isso se, é claro, pretendemos comer de maneira saudável e assim evitar certas doenças. A regra é: quanto mais ingredientes com nomes estranhos, mais artificial é o alimento. De fato, essa regra não falha.

Preste atenção, pois quando os rótulos dos alimentos contêm mais do que cinco componentes, é porque geralmente eles incluem grandes quantidades de sal, açúcar, gordura, conservantes e aditivos artificiais. Acima de tudo, preste atenção porque geralmente os nomes são impossíveis de decifrar, entender ou ler. Nada natural!

O açúcar como ingrediente oculto

Uma tigela com cubos de açúcar

Existem muitos ingredientes ocultos que não conhecemos e que não são divulgados, por razões óbvias: eles não são bons para a nossa saúde. Um deles é o açúcar.

Ter consciência do que estamos consumindo e procurar tabelas nutricionais claras pode nos ajudar a comer melhor. Um projeto chamado SinAzucar.org revela a quantidade de glicose contida nos alimentos que consumimos normalmente.

É realmente interessante ver ao lado do produto uma coluna de cubos de açúcar que indicam a quantidade de glicose incluída na sua preparação, até mesmo em produtos salgados!

Por exemplo, um iogurte natural com geleia de morango tem sete cubos de açúcar. Uma rosquinha doce tem nove. Se cada cubo de açúcar pesa cerca de 2,3 gramas… Imagine então o quanto você está consumindo apenas com esses produtos!

O açúcar está escondido atrás de vários nomes, para que assim não possamos encontrá-lo facilmente: glicose, xarope, dextrose, amido de milho… Em suma, todos eles são carboidratos refinados sem muitos nutrientes que podem levar a sérios problemas de saúde.

Em resumo, não se trata de parar de consumir produtos industrializados da noite para o dia; ou de acreditar que, ao ingeri-los, ficaremos doentes. A questão é ser mais conscientes dos alimentos que oferecemos às nossas famílias. Lembre-se de que, no mundo do marketing, nem tudo é o que parece.